Arquivos para a Categoria ‘em verso’

8 08UTC Dezembro 08UTC 2009

c’est la vie qu’on mène
anxiolytiques et café crème

22 22UTC Julho 22UTC 2009

pra que sonhar
a vida é tão desconhecida e mágica
que dorme às vezes do teu lado
calada, calada

pra que buscar o paraíso
se até o poeta fecha o livro
sente o perfume de uma flor no lixo
e fuxica, fuxica

- cazuza

recordados.

6 06UTC Julho 06UTC 2009

proferindo azuis ao contrário:
tons mofados, amargos, desbotados,
inconscientes do meio-dia imenso
- um número maior que o meu.

…com sabor de fruta mordida.

6 06UTC Julho 06UTC 2009

somos os dois únicos versos de um poema: simples e profundo, como a fenda aberta no peito de quem o lê. eu ia te dizer isso assim que acordasse, mas, quando me dei conta, seu rosto era um lago plácido. macular este silêncio seria um pecado mortal. seus olhos se demoraram traçando constelações entre as gotas imóveis sobre o parabrisa, ou apenas buscassem relembrar algum detalhe do último sonho (que fora de um sono tão pacífico, de um ressonar tão suave, protegido da chuva lá fora) – não importa. para quem esperou até agora pelo nascer-dos-sóis, os dois segundos que levaram para seus olhos encontrarem os meus eram bastante. e… sim, mais um belo dia começava então.
eu, grato:
- bom dia. – você, tirando meu fôlego:
- te amo.

(o céu cinza sobre a estrada deserta, infinita, era irrelevante)

dois versos. quais? esses:

você que transfigura em flor
o arrepio que percorre a minha espinha.

30 30UTC Junho 30UTC 2009

elas

e somente naquele dia.

naquelas horas vestidas de beija-flor,

sob a luz recortada de verde pelas árvores

e sob seu sorriso que me desarmava.

25 25UTC Junho 25UTC 2009

a noite, vesti-la; e entalhar isso nas águas do rio,
para que os peixes comuniquem aos pássaros
uma forma mais sutil de voar.

- wesley peres

urgência.

25 25UTC Junho 25UTC 2009

antes que o tédio a todos nos engula
- e nem ao menos possamos vislumbrar o céu
amarelo pálido de sua boca.

23 23UTC Junho 23UTC 2009

presos num conto de fadas
apenas a dois encontraremos o caminho
presos num gobelino
que nós dois tecemos juntos
isolados de todos
com uma língua que apenas você e eu entendemos.

- jostein gaarder

23 23UTC Junho 23UTC 2009

Molhou o bilhete de trem na caneca de leite enquanto observava os quadros renascentistas nas paredes de pedra.

Madonas e anjos barrocos participavam de orgias com santos e alienígenas.

Sam estivera durante o inverno procurando a maneira certa de distrair os cavalos selvagens que eram seus pensamentos.

Sonhos, sonhos: agora Sam vagava perdido entre os mundos deles e o concreto.

- Talvez o contrário, disse entre dentes.