sobre como todo quadro tem uma razão de existir.

By Luís

hoje, na aula de sintaxe, tentaram provar o contrário.  no quadro, as palavras: a água mordeu a luz do menino. sintaticamente perfeito, semanticamente duvidoso. certo? seria, até que uma garota esperta disse lá do fundo que o menino morria afogado.
os herdeiros da modernidade podem encontrar significado e coerência em qualquer texto, dependendo do ponto de vista que se toma. desse modo, são amigos tanto os lençóis brancos que sorriem estrelas-do-mar quanto os feridos de guerra que fazem bolhas de sabão enquanto um par de flautas irlandesas recitam sonetos shakeasperianos.
para nós, essas frases, apesar de não serem ditas muitas vezes por dia, não estão em um outro plano, chamado de poético. são possíveis desde que são ditas e sua compreensão depende tão somente de um contexto bem providenciado. este outro plano, o poético, em nada diferencia do banal em que vivemos, já que, na verdade, encontra-se nele circunscrito. basta saber como olhar, ou colocar um par de lentes coloridas.

e sim, sim, tudo que é sólido pode perfeitamente evanescer no ar, de repente, bem na frente dos seus olhos. a qualquer momento.


agora mesmo já encontro traduções mais comuns para os exemplos supracitados. de onde vejo, os lençóis são uma praia em um dia ensolarado, coberta de estrelas-do-mar. consegue ver? sobe aqui nessa pedra, cuidado para não escorregar. naquela direção. bonito né? vamos catar conchinhas?

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