26 26UTC Outubro 26UTC 2009 por Luís

sua epiderme são as fronteiras do meu mundo. seus passos mantêm meu equilíbrio, mantêm-me sobre meus pés: que são teus olhos. seus lábios, meus braços. suas falanges são cada uma de minhas terminações nervosas. e eu não quero mais deixar o abrigo do seu umbigo.

14 14UTC Outubro 14UTC 2009 por Luís

#2

14 14UTC Outubro 14UTC 2009 por Luís

#1

sobre como todo quadro tem uma razão de existir.

13 13UTC Agosto 13UTC 2009 por Luís

hoje, na aula de sintaxe, tentaram provar o contrário. a professora, lá de cima de sua sabedoria, nos deu um exemplo. no quadro, as palavras: a água mordeu a luz do menino. sintaticamente imaculado, semanticamente duvidoso. certo? seria, até que uma garota esperta disse lá do fundo que o menino morria afogado.
em tais pós-modernidades, os herdeiros de einstein, weber e marx podem encontrar significado e coerência em qualquer texto, dependendo do ponto de vista que se toma. desse modo, são amigos tanto os lençóis brancos que sorriem estrelas-do-mar quanto os feridos de guerra que fazem bolhas de sabão enquanto um par de flautas irlandesas recitam sonetos shakeasperianos.
essas frases, apesar de não serem ditas muitas vezes por dia, não estão em um outro plano, chamado de poético. são possíveis desde que são ditas e sua compreensão depende tão somente de um contexto bem providenciado. este outro plano, o poético, em nada diferencia do banal em que vivemos, já que, na verdade, encontra-se nele circunscrito. basta saber como olhar, ou colocar um par de lentes coloridas.

e sim, sim, tudo que é sólido pode perfeitamente evanescer no ar, de repente, bem na frente dos seus olhos.


agora mesmo já encontro traduções mais comuns para os exemplos supracitados. de onde vejo, os lençóis são uma praia em um dia ensolarado, coberta de estrelas-do-mar. consegue ver? sobe aqui nessa pedra, cuidado para não escorregar. naquela direção. bonito né? vamos catar conchinhas?

6 06UTC Agosto 06UTC 2009 por Luís

me demitir desse mundo no qual uma cor tem sempre que ser mais colorida que a outra. continuar praticando, estou ficando bom em fazer meus dias passarem cada vez mais rápido. só um segundo para inspirar expirar inspirar. expirar.

não fosse a garganta seca seria um pedido de socorro.

22 22UTC Julho 22UTC 2009 por Luís

pra que sonhar
a vida é tão desconhecida e mágica
que dorme às vezes do teu lado
calada, calada

pra que buscar o paraíso
se até o poeta fecha o livro
sente o perfume de uma flor no lixo
e fuxica, fuxica

- cazuza

conto de terror.

22 22UTC Julho 22UTC 2009 por Luís

um domingo calado fracamente iluminava a casa, adentrando-a tímido pelas janelas. fim de uma tarde quente extinguindo-se preguiçosa. havia agora apenas alguns retalhos da luz amarela atirados nas paredes encardidas. o caminho você conhece bem. descalço, caminha a passos macios apesar que meio desequilibrados do sono recém-interrompido. um despertar tão calmo quanto o próprio sonho que tivera e um aroma suave, familiar, convidando-o sedutor. o silêncio denso era somente acompanhado pelo sibilar baixo e contínuo de uma panela sobre o fogo. você adentra a cozinha calidamente iluminada com os restos mortais de um sol que se esvaía sem pressa. e, em contraste com os outros cômodos vazios, você percebe que do outro lado da mesa sentava-se o diabo com as pernas cruzadas, uma viola descansando docemente sobre elas, a feição antes séria, compenetrada, quando nota sua presença lhe sorri uma meia boca de cumplicidade.

newsflash.

8 08UTC Julho 08UTC 2009 por Luís

- o ensaio sobre efemifobia finalmente está pronto.

dd

such an ann.

7 07UTC Julho 07UTC 2009 por Luís

- do you guess what i’m thinking of just this time. just this time.

recordados.

6 06UTC Julho 06UTC 2009 por Luís

proferindo azuis ao contrário:
tons mofados, amargos, desbotados,
inconscientes do meio-dia imenso
- um número maior que o meu.